Um novo exame de sangue está ganhando validação científica por conseguir identificar sinais do Alzheimer antes que a perda de memória se agrave. A novidade está na medição da proteína p-tau217, um biomarcador associado às alterações cerebrais típicas da doença, capaz de indicar sinais do problema antes que a perda de memória se torne mais grave.

O diferencial do teste é que ele pode substituir, em muitos casos, exames mais caros e invasivos, como a punção lombar ou o PET cerebral, ampliando o acesso ao diagnóstico precoce.

A eficácia do exame foi avaliada na Espanha, em um estudo com 200 pacientes acima de 50 anos que já apresentavam sintomas cognitivos. A pesquisa foi liderada pelo neurologista Jordi A. Matías-Guiu, da Universidade Complutense de Madrid, e publicada em 10 de fevereiro de 2026 no Journal of Neurology.

Os pesquisadores analisaram a presença da proteína p-tau217 no sangue dos participantes. No Alzheimer, essa proteína está relacionada ao acúmulo anormal de substâncias que danificam os neurônios e comprometem a memória e outras funções cognitivas.

Os resultados chamaram a atenção: apenas com avaliação clínica, a taxa de acerto dos médicos era de 75,5%, com a inclusão do exame de sangue, a precisão subiu para 94,5%.

O diagnóstico foi alterado em aproximadamente um a cada quatro pacientes avaliados. Em alguns casos, a suspeita de Alzheimer foi descartada. Em outros, a doença foi identificada onde se acreditava tratar apenas de envelhecimento natural.

Além da maior precisão, o exame também elevou a confiança dos profissionais de saúde. Em uma escala de 0 a 10, o grau de segurança no diagnóstico passou de 6,90 para 8,49 após a inclusão do resultado laboratorial.

Especialistas avaliam que a possibilidade de identificar o Alzheimer de forma mais simples e acessível pode permitir intervenções mais precoces, acompanhamento adequado e melhor planejamento terapêutico para os pacientes.

O avanço reforça a importância da ciência no enfrentamento das doenças neurodegenerativas e abre caminho para um futuro em que o diagnóstico do Alzheimer seja mais rápido, menos invasivo e mais preciso.

Redação

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