O estado de São Paulo registrou aumento no número de feminicídios em janeiro de 2026, em comparação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública. Foram 27 mulheres assassinadas em razão do gênero no mês, cinco a mais que em janeiro de 2025, sinalizando uma alta preocupante no início do ano.

Dos casos registrados, 15 resultaram em prisão em flagrante, de acordo com as autoridades. No interior paulista, foram 20 vítimas, com 12 prisões em flagrante. Na capital e região metropolitana, os demais casos ocorreram em diferentes contextos e estão sob investigação policial.

Especialistas em violência de gênero explicam que o feminicídio não acontece de forma repentina, mas é normalmente o resultado de um ciclo de violência que se agrava ao longo do tempo. A pesquisadora Daiane Bertasso, do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem), lembra que a violência letal contra mulheres geralmente está ligada a relações íntimas e familiares, onde outras formas de agressão, psicológica, patrimonial ou física já ocorreram anteriormente.

Esse cenário se insere em um contexto mais amplo de violência de gênero no Brasil. Dados nacionais mostram que o país atingiu recorde no número de casos de feminicídio em 2025, com mais de 1.470 vítimas em todo o território, uma média de cerca de quatro mulheres assassinadas por dia no ano passado.

O aumento dos casos reforça a necessidade de políticas públicas mais efetivas de prevenção, apoio às vítimas e investigação desses crimes. Especialistas e organizações da sociedade civil reforçam que a proteção das mulheres passa por mecanismos que interrompam o ciclo de violência antes que ele evolua para casos extremos.

Redação

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