Um estudo internacional publicado na revista científica The Lancet estima que 43,2% das mortes por câncer no Brasil poderiam ser evitadas com medidas de prevenção, diagnóstico precoce e acesso adequado ao tratamento.

Segundo a pesquisa, dos casos diagnosticados no país em 2022, cerca de 253,2 mil devem resultar em morte em até cinco anos. Desse total, aproximadamente 109,4 mil óbitos seriam evitáveis, sendo 65,2 mil preveníveis (quando a doença poderia nem ter se desenvolvido) e 44,2 mil passíveis de redução com diagnóstico antecipado e tratamento adequado.

O levantamento analisou 35 tipos de câncer em 185 países e aponta que, no mundo, 47,6% das 9,4 milhões de mortes registradas poderiam ter sido evitadas. Uma em cada três está ligada a fatores preveníveis, como:

  • tabagismo;
  • consumo de álcool;
  • excesso de peso;
  • exposição à radiação ultravioleta;
  • infecções como HPV, hepatite e Helicobacter pylori.

O estudo evidencia disparidades globais. Em países do norte da Europa, como Suécia e Noruega, cerca de 30% das mortes seriam evitáveis. Já em nações africanas, como Serra Leoa e Gâmbia, o índice ultrapassa 70%.

A América do Sul registra 43,8% de mortes evitáveis, percentual semelhante ao do Brasil, que é classificado como país de IDH alto. Em nações com baixo IDH, mais de 60% dos óbitos poderiam ser prevenidos.

O câncer de colo do útero lidera as mortes evitáveis em países de menor desenvolvimento, enquanto praticamente não aparece entre os principais nos países de IDH muito alto, reflexo da vacinação contra HPV e do rastreamento regular.

Globalmente, 59,1% das mortes evitáveis estão relacionadas aos cânceres de pulmão, fígado, estômago, colorretal e colo do útero.

O câncer de pulmão é o que mais gera mortes preveníveis, principalmente pelo tabagismo. Já o câncer de mama lidera entre os casos em que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado poderiam salvar vidas.

Os pesquisadores defendem políticas públicas mais rigorosas contra o tabaco e o álcool, combate ao excesso de peso, vacinação contra HPV e ampliação do acesso ao diagnóstico e tratamento.

O estudo conclui que enfrentar as desigualdades no acesso à prevenção e ao tratamento é essencial para diminuir as mortes evitáveis por câncer no mundo.

Redação-InformandoBlog

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