As casas de apostas se consolidaram como um dos setores que mais crescem no Brasil, movimentando cerca de R$ 100 bilhões por ano. No entanto, um levantamento recente revelou um dado preocupante: beneficiários do Bolsa Família movimentaram R$ 3,7 bilhões em apostas online apenas em janeiro deste ano, o equivalente a mais de um quarto dos recursos pagos pelo programa federal no período.

De acordo com os dados, 4,4 milhões de famílias transferiram dinheiro para plataformas de apostas esportivas. 4% desses apostadores foram responsáveis por 80% do valor movimentado, o que levanta suspeitas de uso indevido de CPFs e possíveis indícios de lavagem de dinheiro.

Diante das irregularidades, o Ministério da Fazenda estendeu até o final de novembro o prazo para que as casas de apostas bloqueiem os cadastros de beneficiários do Bolsa Família. A medida faz parte de um esforço para conter o uso indevido de recursos públicos e reforçar o controle sobre as plataformas digitais de apostas.

Especialistas, porém, alertam que o impacto da determinação pode ser limitado. Isso porque a maioria dos apostadores é do sexo masculino, enquanto as titulares do Bolsa Família são, em sua grande parte, mulheres, o que pode dificultar a identificação de fraudes realizadas com CPFs de terceiros.

O caso reacende o debate sobre a necessidade de regulamentação mais rigorosa do setor e de políticas de conscientização financeira voltadas às camadas mais vulneráveis da população, especialmente diante do avanço das apostas esportivas e dos riscos sociais associados ao vício em jogos.

Redação-InformandoBlog

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