O número de motocicletas em circulação no Brasil vem batendo recordes e transformando a paisagem urbana, principalmente nas grandes cidades. Nos últimos meses, a frota nacional ultrapassou a marca de 35 milhões de unidades, o que representa quase metade do total de automóveis em todo o país.

De acordo com dados do setor, as vendas de motos cresceram 13% até setembro de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Embora o aumento da frota também esteja ligado ao avanço dos serviços de entrega, especialistas apontam que o principal fator por trás desse crescimento é o poder de compra do consumidor.

Em 2019, um carro de entrada zero quilômetro custava em média R$ 35 mil. Hoje, o mesmo veículo pode chegar a R$ 70 mil ou R$ 80 mil. Já o preço de uma motocicleta básica subiu de cerca de R$ 7 mil para pouco mais de R$ 10 mil no mesmo período. Além disso, o custo de manutenção e abastecimento de uma moto é cerca de cinco vezes menor que o de um carro.

Com o crédito mais restrito, a renda comprimida e o aumento dos preços dos automóveis, as motocicletas se tornaram uma alternativa viável de locomoção e de trabalho. No Nordeste, o fenômeno é ainda mais expressivo: em 10 anos, a frota triplicou, e cerca de 70% dos municípios da região já possuem mais motos do que carros.

Outro destaque é o papel dos consórcios. Com os juros altos, o modelo se tornou uma das principais portas de entrada para o consumidor. Um em cada quatro consórcios no Brasil hoje é voltado à compra de motocicletas.

Mesmo em meio a um cenário econômico desafiador, o setor de motocicletas segue em expansão, movimentando a indústria, gerando empregos e mantendo a produção nacional aquecida, ainda que, paradoxalmente, esse crescimento seja também um reflexo das dificuldades financeiras enfrentadas por grande parte da população.

Redação-InformandoBlog

Imagem: Agencia Brasil

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