A Anvisa aprovou recentemente o uso do Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento da apneia obstrutiva do sono em adultos com obesidade, abrindo caminho para uma nova abordagem no combate a esse transtorno respiratório. A decisão, publicada no Diário Oficial da União, concede ao medicamento uma indicação adicional. O medicamento já é autorizado para uso no diabetes tipo 2 e no controle de peso.

O novo uso do Mounjaro destina-se especificamente a casos de apneia moderada a grave, quando o paciente apresenta obesidade como fator de risco. A aprovação foi respaldada por estudos clínicos de fase 3 conduzidos pela fabricante Eli Lilly, que demonstraram redução expressiva nas interrupções respiratórias noturnas. Pacientes tratados com tirzepatida alcançaram, em média, 27 eventos a menos por hora em comparação com apenas 5 eventos a menos no grupo placebo.

Em pacientes que já usavam o aparelho CPAP, a queda nas interrupções foi ainda maior. 30 por hora contra cerca de 6 no grupo controle. Os resultados do estudo também apontaram que, após um ano de tratamento, cerca de 42% dos pacientes que receberam apenas o Mounjaro apresentaram remissão da apneia para quadros leves ou sem sintomas.

Para aqueles que combinaram o medicamento com o uso do CPAP, essa proporção subiu para 50%. Nos grupos de placebo, a remissão ficou entre 14% e 16%. Além da melhora respiratória, o uso da tirzepatida levou a uma perda média de 20,4 kg (18% do peso corporal) no grupo que usou apenas o medicamento, e 22,7 kg (20%) entre aqueles que também utilizaram CPAP. Nos grupos controle, o peso se reduziu apenas entre 1,8 kg e 2,7 kg.

A aprovação representa um avanço importante porque, até então, as opções terapêuticas para apneia do sono se baseavam principalmente no uso de CPAP, intervenções cirúrgicas ou medidas de estilo de vida (emagrecimento, mudanças posturais, evitar álcool e sedativos). A adição do Mounjaro oferece uma nova ferramenta medicamentosa, especialmente para pacientes com obesidade que enfrentam limitações com outras abordagens.

Entretanto, mesmo com a aprovação, o medicamento continuará sendo vendido sob prescrição médica, e a seleção de pacientes deve ser cuidadosa, considerando riscos, benefícios e perfil clínico individual. Ainda haverá necessidade de adaptação das bulas para incluir a nova indicação nos próximos meses, conforme exigem regulamentos da Anvisa.

Da Redação-InformandoBlog

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