A Bahia registrou a primeira morte suspeita causada por intoxicação devido ao consumo de bebida alcoólica contaminada com metanol. O caso aconteceu em Feira de Santana, onde um homem de 56 anos deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Queimadinha e morreu pouco tempo depois. Amostras biológicas foram coletadas e encaminhadas para análise laboratorial, que deve confirmar, nos próximos dias, se a causa da morte foi realmente intoxicação por metanol. As secretarias estadual e municipal de saúde já orientaram as unidades de urgência e emergência a ficarem em alerta para possíveis casos semelhantes, determinando que qualquer suspeita seja notificada imediatamente às autoridades competentes.

O caso integra um cenário de preocupação nacional. De acordo com o Ministério da Saúde, até o início de outubro já foram registradas 113 notificações de intoxicação por metanol associadas ao consumo de bebidas alcoólicas no país. Destas, 11 foram confirmadas e mais de 100 ainda estão sob investigação. Entre as ocorrências, há 12 mortes notificadas, uma confirmada em São Paulo e as demais, incluindo a da Bahia, em análise. O surto vem mobilizando autoridades sanitárias em todo o Brasil, que buscam identificar a origem das bebidas adulteradas e reforçar as ações de vigilância.

O metanol, também conhecido como álcool metílico, é uma substância altamente tóxica, utilizada industrialmente como solvente ou combustível, e sua presença em bebidas é ilegal. Quando ingerido, o metanol é transformado no organismo em substâncias como formaldeído e ácido fórmico, que podem causar graves danos ao sistema nervoso central, aos rins, ao fígado e aos olhos. Os sintomas de intoxicação podem aparecer entre 12 e 24 horas após o consumo e incluem dor de cabeça intensa, náuseas, vômitos, visão turva ou perda da visão, confusão mental e fraqueza. Em casos graves, a intoxicação pode levar ao coma e à morte se não houver tratamento imediato.

Como resposta ao aumento dos casos, o Ministério da Saúde iniciou uma série de medidas emergenciais. Entre elas, a aquisição de 4,3 mil ampolas de etanol farmacêutico, usado como antídoto em casos de intoxicação por metanol, além do processo de compra do medicamento fomepizol, considerado o tratamento mais eficaz para quadros moderados e graves. Também foi criada uma Sala de Situação Nacional para monitorar e coordenar as ações de enfrentamento, em parceria com estados e municípios. As autoridades reforçam a importância de notificar imediatamente os casos suspeitos e de manter vigilância ativa nos serviços de saúde.

A população deve ficar atenta aos riscos e evitar o consumo de bebidas alcoólicas de origem duvidosa, vendidas sem rótulo, sem lacre de segurança ou com preços muito abaixo do valor de mercado. Produtos com odor forte, gosto diferente ou aparência turva podem indicar adulteração. Diante de qualquer sintoma suspeito após o consumo de bebida alcoólica, é fundamental procurar atendimento médico imediato e informar o histórico de ingestão.

O caso em Feira de Santana acende um alerta importante sobre os perigos das bebidas clandestinas e reforça a necessidade de ações contínuas de fiscalização e conscientização. As autoridades de saúde da Bahia seguem investigando a ocorrência e reforçam que o consumo responsável e a atenção à procedência das bebidas são atitudes fundamentais para evitar novas vítimas.

Da Redação

Foto: Valto Novaes

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