
O mercado de trabalho brasileiro tem mostrado mudanças importantes no comportamento da renda dos trabalhadores. Dados recentes revelam que os profissionais autônomos e informais registraram um crescimento mais acelerado nos ganhos do que os empregados com carteira assinada (CLT).
Enquanto os salários dos celetistas tiveram um crescimento médio de 2,3%, os autônomos avançaram 5,6% e os informais 6,8%. Em valores absolutos, no segundo trimestre deste ano, a renda média dos trabalhadores formais chegou a R$ 3.171, contra R$ 2.955 dos autônomos e R$ 2.213 dos informais. Este é o maior patamar registrado para quem atua sem carteira desde 2012, início da série histórica.
O que chama ainda mais a atenção é a mudança de tendência. Há quatro anos, no segundo trimestre de 2021, a diferença salarial entre celetistas e autônomos era de 25%. Hoje, essa diferença caiu para apenas 7,3%, evidenciando o avanço dos ganhos fora da formalidade.
Entretanto, esse movimento também traz efeitos colaterais. Com o crescimento de plataformas digitais de trabalho, como Uber e iFood, cresce o número de pessoas sem cobertura previdenciária, o que significa ausência de proteção social e de direito à aposentadoria.
Já no caso dos Microempreendedores Individuais (MEIs), embora exista a contribuição, o valor recolhido equivalente a 5% do salário mínimo não é suficiente para garantir benefícios futuros de forma sustentável. Esse modelo, que vem se expandindo ano a ano, gerou em 2024 uma renúncia fiscal de R$ 6,44 bilhões, um aumento de 24,4% em relação ao ano anterior, pressionando ainda mais o sistema previdenciário.
O cenário evidencia o papel crescente dos autônomos e informais na economia do país, mas também reforça a urgência de medidas que assegurem maior equilíbrio entre renda, formalização e proteção social para os trabalhadores brasileiros.
Da Redação


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