A casa, que deveria ser um espaço de proteção e intimidade, tem se revelado o cenário mais letal para muitas mulheres no Brasil. Segundo dados atualizados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 64,3% dos feminicídios em 2024 ocorreram dentro da residência da vítima. Esse percentual permaneceu estável em relação ao ano anterior e indica uma tendência persistente nas estatísticas brasileiras.

Em números absolutos, foi registrado 1.492 feminicídios em 2024, média de quase quatro mulheres assassinadas por dia somente por serem mulheres. Cerca de 80% dos casos foram cometidos por companheiros ou ex-parceiros, e 97% dos perpetradores eram homens. Além disso, observou-se uma predominância de vítimas negras (63,6%) entre 18 e 44 anos (70,5%)

A prevalência do domicílio como local de crime revela uma dinâmica de violência íntima e controladora, com os agressores muitas vezes exercendo poder e posse dentro do lar. Esses números estão longe de serem apenas estatísticas, representam vidas interrompidas num contexto onde a vítima deveria estar mais segura. O uso de armas brancas foi o método mais comum (48,4%), seguido por armas de fogo (23,6%).

Mesmo com avanços legais como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio desde 2015, a efetividade das medidas protetivas ainda falha em evitar o desfecho extremo. Em 2024, cerca de 28,3% das vítimas tinham medida protetiva ativa, e aproximadamente 100 mil delas foram descumpridas.

Esse cenário aponta para uma urgência, a violência de gênero no Brasil permanece estrutural e silenciosa. É essencial fortalecer mecanismos de denúncia, acolhimento e resposta rápida das instituições competentes, além de investir em educação que combata o machismo e promova respeito à autonomia das mulheres.

Da Redação

Deixe um comentário