A guerra na Ucrânia passou a integrar oficialmente o currículo escolar na Rússia. Estudantes do ensino fundamental e médio em todo o país estão aprendendo sobre o conflito iniciado em fevereiro de 2022 sob a perspectiva do governo russo, que continua a tratar a invasão como uma “operação militar especial”. O conteúdo foi inserido nos livros de história e também em disciplinas de cidadania e patriotismo, com foco em reforçar o papel da Rússia como defensora de seus interesses e valores diante do que o Kremlin chama de ameaças do Ocidente.

A decisão de incluir a guerra no material didático foi anunciada pelo Ministério da Educação da Rússia e, segundo autoridades, tem como objetivo “formar uma consciência patriótica” entre os jovens. Os livros apresentam a narrativa de que a Rússia age para proteger a população russófona do leste ucraniano, combater o neonazismo e resistir à expansão da OTAN. Termos como “invasão”, “guerra” e “ocupação” continuam sendo evitados, e o material não traz relatos de crimes de guerra, destruição civil ou repressão à oposição interna, amplamente denunciados por organizações internacionais.

O novo currículo também inclui homenagens a soldados russos mortos em combate, atividades escolares em datas comemorativas ligadas ao conflito e a exibição de documentários estatais com viés ideológico. Professores são orientados a seguir um roteiro pedagógico alinhado com o discurso oficial e, em algumas regiões, há relatos de punições a educadores que questionam ou relativizam a versão do governo. A medida faz parte de uma política mais ampla de controle da informação, que já censura veículos de imprensa independentes e redes sociais consideradas “hostis” ao regime de Vladimir Putin.

Analistas veem essa iniciativa como mais um passo no processo de militarização da educação e de instrumentalização ideológica das escolas, fenômeno que se intensificou desde o início da guerra. Para muitos especialistas, o objetivo não é apenas informar os estudantes, mas moldar suas percepções sobre o papel da Rússia no cenário internacional e garantir apoio contínuo à guerra, especialmente entre as novas gerações.

A inclusão da guerra no currículo escolar reacende o debate sobre o uso político da educação e os limites entre ensino e propaganda. Enquanto organizações de direitos humanos criticam a doutrinação imposta aos jovens russos, o governo de Moscou reafirma que está apenas defendendo sua soberania e preparando seus cidadãos para o que considera um longo confronto geopolítico.

Da Redação

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