Quase metade dos pacientes com câncer atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) não conseguem receber o diagnóstico ou iniciar o tratamento no prazo estabelecido por lei. A realidade, marcada pela espera e pela incerteza, afeta diretamente milhares de brasileiros que enfrentam a doença.

No Brasil, 71% dos pacientes com câncer de próstata esperaram mais do que o permitido para iniciar o tratamento e 65% das pacientes com câncer de mama também enfrentaram atrasos.

As longas filas e a lentidão no acesso ao tratamento ocorrem apesar de duas leis federais garantirem prazos máximos de 30 dias para o diagnóstico e 60 dias para o início do tratamento após confirmação da doença. Na prática, esses prazos são frequentemente ignorados. Um levantamento do Instituto Oncoguia, que apoia pacientes com câncer, revelou que entre 2018 e 2022, 42% dos diagnósticos foram feitos com atraso e 46% dos pacientes iniciaram o tratamento fora do prazo legal. O cenário é ainda mais grave para casos específicos:

Diante da situação crítica, o Ministério da Saúde anunciou que está desenvolvendo um novo modelo de parcerias com hospitais privados e operadoras de saúde para acelerar o acesso a consultas, exames e cirurgias especializadas.

“A intenção é começar ainda este ano. Vamos contratar capacidades ociosas e usar estruturas da rede privada para atender pacientes do SUS”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A oncologista Marina Saad reforça que a demora no início do tratamento pode significar menos chances de cura e mais sofrimento para os pacientes.

Da Redação com informação da AB

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