
Após os rituais do velório e sepultamento do papa, o Vaticano entra em um período de luto de nove dias, conhecido como novendiali. Durante esse tempo, o Colégio Cardinalício é convocado e os cardeais se instalam na Casa Santa Marta, o mesmo local onde Jorge Mario Bergoglio optou por viver, ao abrir mão do tradicional apartamento papal no Palácio Apostólico.
Antes da votação, são realizadas reuniões gerais com todos os cardeais, chamadas de congregações gerais. Nesses encontros, são debatidos os desafios da Igreja e questões atuais do mundo. É nesse momento que começam a surgir os primeiros perfis considerados aptos a assumir o papel de bispo de Roma, o novo papa.
A votação, que acontece na Capela Sistina, é restrita aos cardeais com menos de 80 anos. O número máximo estabelecido de eleitores é 120, embora atualmente haja 135 cardeais com direito a voto, podendo haver exceções, como já ocorreu em conclaves anteriores. Vale ressaltar que, embora seja comum que o novo papa seja escolhido entre os presentes, tecnicamente, qualquer homem batizado pode ser eleito, ainda que isso seja extremamente improvável.
No dia do conclave, os cardeais participam de uma missa na Basílica de São Pedro, presidida pelo decano do Colégio Cardinalício , atualmente o italiano Giovanni Battista Re. Em seguida, seguem em procissão até a Capela Sistina, especialmente preparada para o processo, com bancos organizados, urnas, cédulas e o tradicional fogareiro onde serão queimadas as anotações e votos. A partir desse momento, qualquer comunicação com o mundo exterior é terminantemente proibida, inclusive o uso de dispositivos eletrônicos.
Se a eleição tiver início no período da tarde, realiza-se apenas uma votação no primeiro dia. Nos dias seguintes, podem ocorrer até quatro rodadas de votação: duas pela manhã e duas à tarde. Durante o processo, cada cardeal escreve o nome do escolhido em um papel retangular e o deposita em uma urna. Dois apuradores leem os votos silenciosamente, enquanto um terceiro os anuncia em voz alta. Para evitar possível “fraude”, as cédulas são então furadas, amarradas umas às outras e queimadas.
Caso nenhum candidato alcance ao menos dois terços dos votos, é adicionada uma substância para tingir a fumaça de preto, o que sinaliza que ainda não há um novo papa. Quando um nome atinge a maioria exigida, o decano pergunta ao eleito se aceita o cargo e qual será seu nome pontifício.
Se o escolhido aceita, as cédulas são queimadas com um aditivo que produz fumaça branca, indicando ao mundo que um novo papa foi eleito. Logo depois, é feito o anúncio oficial com a tradicional frase Habemus Papam (“Temos um papa”) na varanda central da Basílica de São Pedro.
O papel dos cardeais brasileiros no conclave
O Brasil conta atualmente com oito cardeais integrantes do Colégio Cardinalício, sendo cinco nomeados por Francisco e três por Bento XVI. Desses, sete estão aptos a votar no conclave. O único não votante é dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo emérito de Aparecida (SP), que tem 87 anos. Nomeado por Bento XVI, ele participou do conclave de 2013 que elegeu o papa Francisco.
Cardeais brasileiros votantes:
- João Braz de Aviz, 77 anos – Arcebispo emérito de Brasília
- Odilo Scherer, 75 anos – Arcebispo de São Paulo
- Leonardo Ulrich Steiner, 74 anos – Arcebispo de Manaus
- Orani Tempesta, 74 anos – Arcebispo do Rio de Janeiro
- Sérgio da Rocha, 65 anos – Arcebispo de Salvador e primaz do Brasil
- Jaime Spengler, 64 anos – Arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB
- Paulo Cezar Costa, 57 anos – Arcebispo de Brasília
Da redação com informações da AB


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